Santa Catarina sedia o X Fórum Mundial da Paz

, Regina May 25 de setembro de 2016
 Santa Catarina sedia o X Fórum Mundial da Paz

De 22 a 25 de setembro, Santa Catarina teve o privilégio de receber o X Fórum Mundial da Paz, organizado por mais de 600 universitários de 41 países e diversos lugares do Brasil, e recebendo delegações de mais de 60 países. Trata-se do maior e mais importante evento de Cultura de Paz do mundo, que pela primeira vez chega ao Brasil. O tema central desta edição do WPFBrazil foi WE BELIVE – Nós acreditamos!

Na abertura, Cerimônia de Bênçãos com representantes de diversas tradições, e apresentações culturais. A abertura contou também com painel sobre cultura de paz com: Dominicus Rohde, Luxemburgo – Presidente da Schengen Peace Foundation, Dulce Magalhães Brasil – Presidente do X World Peace Forum, Carlos Palma, Portugal – Presidente do II Youth World Peace Forum, Roberto Crema, Brasil – Reitor da UNIPAZ, Universidade Internacional da Paz.

Entre os destaques da noite, uma mensagem em vídeo do Papa Francisco pedindo unidade, e um minuto de oração pela paz na Síria.

O Movimento ODS Nós Podemos SC esteve presente, e representado pela Coordenadora de Mobilização Andreia Silva Rosa Amorim, no dia 24, falou sobre os ODS como um guia para líderes, na palestra, “A essência da liderança para a Sustentabilidade”.

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“Na carta compromisso que se estabelecem os ODS a expressão “empresas” é citada mais de 40 vezes. Então, como o setor empresarial poderia ficar de fora?”

Entrevista com Dulce Magalhães, presidente do X Fórum Mundial da Paz

dulceConversamos também com a Presidente do X Fórum Mundial da Paz, Dulce Magalhães, que nos contou um pouco da trajetória desse movimento pela cultura de paz.

Movimento ODS Nós Podemos SC – Qual o objetivo do Fórum Mundial da Paz?

Dulce Magalhões O Fórum Mundial da Paz tem 3 objetivos. O primeiro objetivo é convocar as pessoas para o tema da cultura de paz, entendendo que cultura é algo que a gente aprende, desenvolve, transforma, trabalha e portanto, quando nós pensamos em cultura de paz, nós pensamos antes de tudo num processo de educação, que precisa ser transformado.

O segundo aspecto, é que a gente possa reunir com agentes de paz que estão espalhados pelo mundo para que haja trocas de experiências, para que se troquem metodologias e tecnologias. O terceiro aspecto de se fazer um fórum é convocar a comunidade local para em sintonia com o Fórum, em contato com esses makers, que a comunidade também se aproprie das tecnologias e metodologias de paz e amplie a atuação da cultura dentro daquela comunidade. Então, Florianópolis deve ser a maior beneficiária desse encontro.

 

MNPSC – Como foram as edições anteriores?

Dulce – O Fórum Mundial da Paz ocorre desde 2007, surgiu em Luxemburgo, aconteceu vários anos em Luxemburgo, aconteceu também na Alemanha, na França, na Universidade de Sorbonne, aconteceu na Romênia, e no ano passado foi no Cairo, no Egito. E agora, acontecendo em Florianópolis no Brasil.

 

MNPSC – Por que escolheram Florianópolis para sediar o Fórum?

Dulce – A ideia de trazer o Fórum para o Brasil foi uma articulação que nós fizemos, eu frequento o Fórum desde 2011, primeiro ano eu fui sozinha, depois comecei a levar delegações de brasileiros e surgiu a ideia de trazer o Fórum para o Brasil. E haviam várias cidades naturalmente candidatas, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro, mas como eu sou a Presidente do Fórum e moro aqui em Florianópolis, fiz um trabalho especial para que o Fórum viesse para Florianópolis, com a ideia de que Florianópolis tem todo o potencial, isso é uma campanha já antiga nossa, na Unipaz, na Universidade Internacional da Paz, de nós sermos nomeados a primeira capital mundial da Paz a partir de 2018. Todo ano se nomeará uma candidata é nós queremos ser a primeira. O processo começa em 2018, e nomeação deve ocorrer entre 2018 a 2020, mas nós queremos ser a primeira capital mundial da paz. Essa é toda a tarefa que a gente tem para a construção disto e estamos trabalhando nesta direção.

 

MNPSC – Como você  começou a se envolver com a cultura de paz?

 

Dulce – Eu participo de movimentos solidários desde os 18 anos, hoje tenho 50. Movimentos de transformação. Comecei com movimento de mulheres, o qual participo até hoje, os movimento de comunidade e educação e em 2000 eu tive a oportunidade de entrar na Unipaz. Terminei minha formação e entrei como voluntária e a partir daí comecei a trabalhar com os grupos. Em 2006 realizamos o primeiro festival mundial da paz que foi em Florianópolis, o segundo em 2009 em Goiânia, o terceiro em 2012 em São Paulo, e envolvemos 200 mil pessoas.

O Fórum tem outra cadência, são delegações que representam grandes grupos de pessoas. Nesta edição no Brasil tivemos 1800 pessoas mas vamos ter uma representação de mais de 1 milhão de pessoas, que são iniciativas sociais que estão espalhadas pelo mundo e as delegações vem representando esses grupos.

É muito rico viver essa experiência. A Rede Unipaz me nomeou como Tecelã, então sou tecelã de uma rede que é uma espécie de conectora entre os pontos da própria rede unipaz com outras organizações de paz no mundo. Essa é uma das razões de eu começar a frequentar Luxemburgo, cidade onde aconteceu o Fórum, e a levar delegações, pois era minha tarefa como tecelã. E basicamente este é o trabalho que estou fazendo na organização deste fórum, que é um trabalho de tecelã, de unir pontas, de tecer encontros e permitir que as pessoas na medida que se encontrem também reconheçam similaridades, desejos em comum, e reconheçam soluções, que por vezes o outro tem pronta para os nossos desafios.

 

MNPSC –  A paz é possível?

Dulce – Minha visão é a seguinte: um dia nós lograremos um mundo de paz, não tenho dúvidas. E neste dia, movimentos e eventos como esses, essa nossa entrevista inclusive, será um dos passos para a construção de um mundo de paz. Então é um empenho grande, para que a gente chegue lá.

 

MNPSC – Quantos voluntários você conseguiu mobilizar?

Dulce – São 600 voluntários em cerca de 20 países trabalhando nos ultimos 3 meses. Estamos trabalhando o Fórum há 9 meses. Começamos o grupo de orquestração com cerca de 50 voluntários, daí foram aumentando a medida que as necessidades vinham, 200, hoje nós temos 600 voluntários trabalhando em diversos lugares, na Europa em vários lugares, tem um time na Romênia, um time no Cairo, na França, em Portugual, na Espanha e no Brasil temos voluntários espalhados em muitas cidades, e hoje com o universo online a gente pode fazer tudo isso à distância. E esse é um dado interessante porque esses 600 voluntários que estão trabalhando nos ultimos 3 meses, se eles doaram 40 horas nos ultimos 3 meses, claro que tivemos voluntários que doaram 500, ou até mesmo 1000 horas, mas digamos que tenham doado 40 horas, isso multiplicado por 600 resulta em 24 mil horas de voluntariado. Se fossemos remunerar por R$100,00 a hora, que é um valor de baixa especialização, seriam mais de 2 milhões de reais. Seria impagável sem voluntariado. Mas as pessoas estão doando esse tempo porque elas acreditam na construção dessa nova realidade.

 

 

Fotos: Carine Bergmann