Portonave reduz emissões e fortalece o compromisso climático

Carine Bergmann 1 de outubro de 2025
 Portonave reduz emissões e fortalece o compromisso climático

Investimentos, inovação e gestão ambiental como pilares da atuação frente às mudanças climáticas.

Diante dos desafios expostos pela mudança climática, investir em sustentabilidade deixou de ser uma opção; tornou-se urgência. A Portonave, ciente do seu papel como agente transformador, adota medidas concretas para reduzir os impactos ambientais de suas operações portuárias. Desde 2010, a empresa realiza o monitoramento das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), seguindo os critérios do Greenhouse Gas Protocol (GHG), mesmo não sendo uma exigência legal. 

Guiada pelas diretrizes da acionista Terminal Investment Limited (TiL), a Companhia realiza investimentos contínuos em eficiência energética e descarbonização, e em diversas outras ações de sustentabilidade, tanto pela Responsabilidade Social, quanto pela Governança e cuidados ao Meio Ambiente. Para ampliar o engajamento interno, criou-se, inclusive, um Comitê Multidisciplinar de Sustentabilidade, responsável por identificar oportunidades e propor soluções que reduzam riscos e impactos negativos.

Em especial, sobre os compromissos ambientais voluntários assumidos pela empresa, esses são apoiados por um Sistema de Gestão Ambiental bem estruturado e alinhado com a normativa ISO 14001, conduzido por uma equipe especializada que está permanentemente em busca de melhorias contínuas. Tais iniciativas geram resultados expressivos e consolidam a Portonave como referência em práticas sustentáveis no setor portuário, contribuindo efetivamente para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 1.

Os investimentos ambientais realizados no decorrer dos últimos anos têm gerado, além de avanços operacionais, impactos positivos e, principalmente, o desenvolvimento de todo o entorno, refletindo o compromisso contínuo da empresa com o meio ambiente e com a construção de um futuro mais justo e sustentável para todos.

Eletrificação e modernização de equipamentos

Um passo estratégico em direção a uma operação mais sustentável começou na eletrificação dos 18 guindastes de movimentação de contêineres (RTGs), em 2015, que substituíram os geradores a diesel. O investimento de aproximadamente R$ 25 milhões gerou resultados já no ano seguinte, em 2016, com uma redução de 93,75% nas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) associadas à operação destes equipamentos. Desde então, a Companhia incorpora novos equipamentos ecoeficientes e elétricos em suas atividades. Somando os investimentos realizados e em andamento, são cerca de R$ 472 milhões destinados à eficiência energética e ao desenvolvimento sustentável do terminal.

A renovação da frota de empilhadeiras também contribuiu para a redução das emissões. Em 2017, sete equipamentos movidos a Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) geravam 28 toneladas de CO₂e. A introdução de três empilhadeiras elétricas permitiu que, em 2023, esse número caísse para 10 toneladas. Hoje, a Companhia opera com seis empilhadeiras elétricas de pequeno porte (E-forklifts). Além disso, empilhadeiras, paleteiras e transpaleteiras foram substituídas por modelos com bateria de lítio, reduzindo o consumo de energia em torno de 15%.

Durante a pandemia de Covid-19, em 2022, a busca por soluções mais eficientes e menos poluentes continuou. A Portonave foi pioneira entre os terminais portuários da América Latina na aquisição da Kalmar Eco Reach Stacker, uma empilhadeira ecológica que consome 40% menos combustível e reduz na mesma proporção as emissões de GEE.

Energia limpa como motor de transformação

A estratégia de investimento em energia solar teve início em 2020. Desde então, foram instaladas 318 placas solares em diferentes áreas da Companhia. No acumulado de 2020 a 2024, essa medida evitou a emissão de 10,73 toneladas de carbono equivalente (CO₂e) na atmosfera.

Em 2022, foi iniciada a instalação de uma usina solar fotovoltaica na cobertura do prédio de convivência dos profissionais. O sistema, composto por 188 painéis, entrou em operação em 2023 sendo capaz de gerar 10.600 kWh/mês — o equivalente a 30% do consumo do edifício. Além disso, cada uma das 20 novas plataformas utilizadas para monitorar os contêineres refrigerados (reefer) passou a contar com sistemas fotovoltaicos integrados à rede elétrica da empresa.

De 2022 a 2024, foram adquiridos certificados de energia renovável (I-REC), que, somados, correspondem a 199.744 MWh (unidade de energia). Para os próximos anos, a Companhia já fechou contratos de compra de energia renovável certificada, garantindo zero emissões no Escopo 2 até 2027.

Infraestrutura para um futuro de baixo carbono

Com foco na ampliação da infraestrutura e na redução de impactos ambientais, a Portonave iniciou, em 2024, um investimento 100% privado de R$ 1 bilhão. O projeto permitirá o recebimento de navios maiores e a instalação de infraestrutura para implementação do shore power, tecnologia inédita no Brasil que possibilitará o fornecimento de energia elétrica às embarcações atracadas no Terminal, contribuindo na diminuição das emissões de gases poluentes.

A consolidação dos dados dos inventários de emissões de GEE entre 2015 e 2024 evidenciou os resultados das ações implementadas ao percorrer da última década. Nesse período, as emissões totais da empresa foram reduzidas em 63,2%, o que representa 79.874,13 toneladas de CO₂e evitadas.

Para mensurar o desempenho ambiental de forma mais precisa, a Portonave desenvolveu o Indicador de Pegada de Carbono, que considera as toneladas de carbono equivalente (tCO₂e) para cada TEU¹ movimentado. Em 2024, a empresa atingiu seu menor índice: 0,003 tCO₂e por TEU movimentado, representando uma redução de 80% em relação a 2015.

Reconhecimentos que validam a jornada sustentável

A Portonave alcançou conquistas importantes que reforçam o seu compromisso com a sustentabilidade, como a Medalha de Prata da EcoVadis — plataforma global de avaliação de desempenho em sustentabilidade empresarial —, e o Selo Ouro no Programa Brasileiro GHG Protocol — iniciativa da Fundação Getulio Vargas (FGV) que reconhece organizações com inventários de emissões auditados e transparentes.

Além destas, o Terminal conquistou o Selo Diamante no Programa Pró-Clima, uma iniciativa da Aliança Brasileira para Descarbonização de Portos (ABDP), pela qualidade de seu plano de descarbonização com metas definidas e divulgação de inventários completos de emissões de GEE, abrangendo os escopos 1 (emissões diretas), 2 (energia elétrica) e 3 (demais emissões indiretas) e com comprovada redução de emissões. Até o momento, na região Sul, a Portonave foi o único terminal portuário a receber o selo nesta categoria. Esta é a mais alta categoria de selo concedida pelo programa, reforçando seu protagonismo, entre os portos brasileiros, que desenvolve ações sustentáveis.

O próximo passo: o meio ambiente é a nossa casa

A Portonave segue avançando em sua jornada de descarbonização, com foco na inovação e na responsabilidade ambiental. O passo seguinte é a análise de viabilidade para eletrificação das carretas Terminal Tractor (TT), responsáveis pela movimentação de contêineres entre o pátio e o cais. Atualmente, esses equipamentos representam a maior fonte de emissões de GEE da empresa. Em 2024, a primeira TT elétrica entrou em operação, não emitindo gases poluentes como dióxido de carbono, óxido de nitrogênio e enxofre.

Para os próximos anos, o Terminal Portuário assegurou contratos de compra de energia renovável certificada, garantindo a compensação das emissões do escopo 2 até 2027. 

Como empresa que opera em ambiente costeiro, a Portonave está atenta aos impactos das mudanças climáticas sobre suas operações. Em 2024, contratou um estudo, desenvolvido em parceria com a Universidade do Vale do Itajaí (Univali), para avaliar os possíveis efeitos do aumento do nível do mar e de eventos climáticos extremos. Foi iniciado um levantamento dos riscos climáticos e medidas de adaptação para infraestruturas portuárias, com a estruturação de um plano de ação para o Terminal. A publicação do estudo está prevista para o final de 2025.

Além disso, tornou-se membro da Aliança Brasileira para Descarbonização de Portos, iniciativa que reúne portos, empresas e sindicatos em busca de soluções integradas para o setor. Outras iniciativas estão em fase de planejamento:

Fornecimento de energia elétrica para dois navios porta-contêineres de até 400 metros de comprimento e capacidade de 22 mil TEUs, com potência de até 15 MW e possibilidade de expansão para mais uma embarcação;

Armazenamento de energia em banco de baterias de alta capacidade, com recarga por energia 100% limpa, gerada por sistemas fotovoltaicos instalados nas edificações do terminal;

Redução de 30% no consumo de energia do sistema de refrigeração de amônia da Iceport, por meio da substituição de softstarters² (ou partida suave) por inversores de frequência nos motores elétricos dos compressores.

Construindo hoje o porto do amanhã

A trajetória da Portonave mostra que enfrentar os efeitos das mudanças climáticas exige mais do que consciência ambiental — exige estratégia, investimento e inovação. Em toda a sua história, o Terminal Portuário integra a sustentabilidade em sua operação, adota tecnologias limpas, moderniza sua infraestrutura e desenvolve ações que geram impacto positivo no território onde atua. Esse compromisso, que começou com o monitoramento voluntário das emissões, hoje se reflete em resultados concretos. Mais do que mitigar impactos, a Companhia contribui para construir soluções que dialogam com os desafios globais e reforçam seu papel como agente de transformação no território nacional. 

_________________________________________________________________________________________________________

 ¹ Do inglês, Twenty-foot Equivalent Unit: é medida usada no setor de transporte marítimo para quantificar a capacidade de contêineres. Um TEU corresponde ao volume de um contêiner de 20 pés de comprimento.
 
² Dispositivo eletrônico utilizado para controlar o arranque de motores elétricos, especialmente motores de indução trifásicos, reduzindo a tensão aplicada ao motor durante a partida, evitando picos de corrente e esforços mecânicos excessivos.

Texto: Divulgação Portonave