Por Sidnei Aranha, Superintendente de Meio Ambiente da Autoridade Portuária de Santos
Como gestora do maior complexo portuário da América Latina, a Autoridade Portuária de Santos (APS) compreende que sua operação transcende a logística: é uma força catalisadora de mudanças sistêmicas. Nossa estratégia de sustentabilidade, alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, assenta-se em três pilares indissociáveis: inovação operacional, regeneração ambiental e justiça social.
No eixo ambiental (ODS 13 e 14), reduzimos as emissões de CO₂ por meio da eletrificação do cais, que abastece rebocadores com energia limpa proveniente da Hidroelétrica de Itatinga. Paralelamente, patrocinamos projetos como o Eco-Comunidade no Sítio Conceiçãozinha, que utilizam a gamificação para ampliar a coleta seletiva, envolvendo 10 mil moradores em educação ambiental. A proteção marinha avança com monitoramento contínuo das aguas de Santos e recuperação de manguezais, assegurando que nosso crescimento não comprometa os ecossistemas costeiros.
A inovação e educação (ODS 4, 8 e 9) materializam-se em iniciativas como o Programa de Educação Portuária, que conecta 16 escolas públicas, turmas da EJA e alunos da Univesp à dinâmica portuária. Formamos centenas de jovens como tripulantes de cruzeiros por meio de bolsas integrais – quatro já embarcaram em empresas internacionais. Nesse cenário, o Ambiente Virtual de Aprendizagem democratiza o conhecimento, oferecendo cursos abertos à comunidade, como a parceria com a ETEC/AMS.
A inclusão social (ODS 5 e 10) é alicerce de nossa governança. A III Semana da Diversidade reuniu 400 participantes em debates sobre equidade racial e LGBTQIAPN+, enquanto o Programa de Liderança Feminina prepara gestoras com mentorias e workshops. A acessibilidade ganhou força com uma plataforma de atendimento em LIBRAS em tempo real, e projetos como o Surf Social levam, há 16 anos, conscientização ambiental e cidadania a comunidades costeiras.
Nossa participação no Fórum Brasil ODS 2025 nasce de uma convicção: desafios complexos exigem soluções coletivas. Levaremos experiências tangíveis que ilustram como a sinergia entre setores gera impactos positivos com modelos de governança comunitários, incentivo à economia circular, segurança alimentar e o poder da inclusão como motor econômico.
Participamos não apenas para compartilhar, mas para aprender. A APS avança rumo à descarbonização, mas reconhece que a verdadeira transformação exige compromisso permanente. Na APS, sustentabilidade não é um capítulo isolado: é a premissa que orienta desde a dragagem até o diálogo com as comunidades. Reafirmamos que portos são plataformas de futuros possíveis – onde mercadorias circulam, mas também ideias, oportunidades e esperanças. O desenvolvimento que almejamos não será produto de ações isoladas, mas de um compromisso coletivo com o planeta e as pessoas que nele habitam.
O Porto de Santos não é apenas onde o Brasil se conecta ao mundo; é onde construímos, juntos, o futuro que merecemos.
