Arte, Sustentabilidade e Inclusão: Oficinas em Florianópolis capacitam agentes culturais para a Agenda 2030

Carine Bergmann 30 de novembro de 2025
 Arte, Sustentabilidade e Inclusão: Oficinas em Florianópolis capacitam agentes culturais para a Agenda 2030

Neste mês de novembro, Florianópolis foi cenário de uma iniciativa que uniu a potência da arte à urgência do impacto social. O projeto “Cultura e Sustentabilidade: Implementando os ODS em Projetos Culturais” encerrou seu ciclo de atividades deixando um importante legado de conhecimento, conexão e inspiração para a cena cultural catarinense.

Idealizada pela jornalista Carine Bergmann e pela artista multilinguagem Nube Abe, a iniciativa promoveu uma imersão prática com encontros presenciais realizados na Tapera e na Lagoa do Peri, além de um encontro online de encerramento. O objetivo foi claro desde o início: oferecer ferramentas para que artistas, educadores e produtores culturais transformem suas ideias em projetos com impacto real, alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030.

Como destaca Carine Bergmann, coidealizadora do projeto e assessora de comunicação do Movimento ODS SC, a proposta vai muito além da teoria:

“A cultura é a ponte entre o que sentimos e o que transformamos. Integrar os ODS à criação cultural é fazer da arte um ato de regeneração e consciência coletiva.”

Um encerramento focado na democratização do acesso

Para fechar a programação, no dia 27 de novembro, foi realizada a live “Comunicação e Acessibilidade em Projetos Culturais”, transmitida pelo YouTube. O encontro trouxe reflexões práticas e profundas sobre como garantir que a cultura seja, de fato, acessível a todas as pessoas.

Durante a transmissão, Carine reforçou que a comunicação de projetos culturais exige planejamento, estratégia e sensibilidade, e que não se resume à divulgação nas redes sociais, mas ao compromisso em dialogar com os territórios e com a diversidade de públicos.

“A comunicação acessível não é apenas técnica, ela é, antes de tudo, um compromisso social. É a estratégia que garante que o projeto aconteça para além da ideia, permitindo que ele atravesse fronteiras e ganhe vida no mundo”, destacou durante a live.

“Acessibilidade não é favor, é direito”

A convidada especial da noite foi Jamile Lima, CEO da Interpres e especialista em tradução e interpretação de Libras. Diretamente de Brasília, onde recebia um prêmio de empreendedorismo feminino, Jamile trouxe reflexões potentes sobre a importância de pensar a acessibilidade desde a concepção dos projetos, e não como um complemento de última hora.

“Cultura é vida. Privar alguém de cultura é privar de viver momentos de memória e afeto. Acessibilidade não é um favor, é um direito. E quando você pensar em acessibilidade, pense: ‘e se fosse com você?’. Ela precisa existir independentemente da lei, porque é uma questão humana”, afirmou.

Jamile também reforçou a importância da profissionalização e da consultoria em diversidade para evitar práticas equivocadas que acabam excluindo o público PCD:

“Se você faz um trabalho ruim de acessibilidade, a vergonha fica para sempre. Mas quando a representatividade é respeitada, todo mundo fica feliz.”

Legado e continuidade

O projeto foi viabilizado com recursos do Edital Circuito Catarinense de Cultura – Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) 2024 e cumpriu seu papel de fortalecer uma rede de agentes culturais comprometidos com a sustentabilidade, a inclusão e o impacto socioambiental positivo.

Os participantes encerram essa jornada com projetos mais estruturados e um olhar ampliado sobre o papel da cultura na construção de um futuro mais justo, diverso e sustentável.

Quem não conseguiu acompanhar ao vivo pode assistir à gravação completa do encontro de encerramento, que reúne dicas práticas sobre comunicação estratégica e acessibilidade em projetos culturais.

👉 Assista à gravação completa aqui

Uma realização da Camino Comunicação e Sustentabilidade, com apoio do Movimento ODS SC, Instituto Ekko Brasil e Marolas Bar.