Análise inédita organizada pelos signatários aponta caminhos para impactos no ODS 13 na região
A região do Vale Europeu/Médio Vale do Itajaí deu um passo decisivo em sua agenda climática com o lançamento da 1ª Análise de Emissões de Gases de Efeito Estufa (AEGEE). O documento inédito, apresentado na sede da Associação de Municípios do Vale Europeu (Amve), revela um panorama detalhado sobre as fontes de poluição na região e estabelece os pontos críticos que governantes e sociedade civil precisarão enfrentar para garantir a sustentabilidade na região.
Embora o relatório aponte uma tendência de declínio nas emissões líquidas totais, que caíram de 2,04 MtCO2e para 1,81 MtCO2e, os dados acendem um alerta sobre setores estratégicos que ainda apresentam crescimento na liberação de poluentes.
O estudo aponta que o maior gargalo para a descarbonização regional reside no setor de energia, que se consolidou como o principal responsável pelas emissões. Impulsionado pelo aumento no consumo de combustíveis, o setor registrou uma alta de 10% no período analisado.
Outro desafio relevante é a agropecuária, que teve elevação de 13% nas emissões entre 2018 e 2023. Esse crescimento reflete a expansão das atividades pecuárias e os impactos da fermentação entérica e do manejo de dejetos, exigindo novas tecnologias e práticas de manejo mais sustentáveis no campo.
Em contrapartida, a análise destaca uma vitória ambiental: a redução de 93% no desmatamento na região, fator que foi o principal responsável por evitar um balanço de emissões ainda mais elevado.
Simone Gomes Traleski, assessora de Saneamento e Meio Ambiente da Amve, avalia que o levantamento representa um divisor de águas para a atuação ambiental integrada da região, ao transformar dados técnicos em um instrumento estratégico para a tomada de decisão. Segundo ela, a Análise de Emissões não apenas permite identificar com precisão os principais focos de pressão climática, como também orienta a formulação de políticas públicas mais eficazes e a adoção de boas práticas voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa, fortalecendo uma agenda regional de sustentabilidade.
A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Amve e o Consórcio Intermunicipal do Médio Vale do Itajaí (Cimvi), com desenvolvimento técnico do ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade e apoio financeiro do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). O estudo abrange uma área de mais de 5 mil quilômetros quadrados e uma população de 858 mil habitantes, integrando as propostas de Conformidade Climática da Bacia do Rio Itajaí.
O lançamento do relatório completo aconteceu dia 7 de abril, na Amve, em Blumenau, e contou com a presença de gestores públicos e técnicos municipais que atuam na área de meio ambiente. Na ocasião, foi realizada ainda troca de experiências com o município de Campinas (SP) em ações de adaptação e mitigação frente às mudanças climáticas.
Para o presidente da Amve e prefeito de Brusque, André Vechi, a entrega da AEGEE é uma ferramenta de gestão fundamental para os 17 municípios que compõem a região.
“A entrega desta primeira análise é um marco para o nosso planejamento regional. Não se gerencia o que não se mede. Agora, temos dados precisos que nos mostram onde estão os maiores desafios, especialmente no consumo de energia e combustíveis. O papel da Amve é liderar essa articulação para que nossas cidades cresçam com inteligência, atraindo investimentos e modernizando nossa infraestrutura de forma que o desenvolvimento econômico caminhe lado a lado com a preservação climática”, afirma Vechi.
Confira o relatório completo aqui: https://drive.google.com/file/d/1i3KdDFvLp5Cv1JXFLUzy-pYwl8zvFs3F/view?usp=drivesdk
Texto e imagens: Assessoria de Comunicação AMVE/CIMVI.
