COP 30 e os ODS: A agenda 2030 está viva nas discussões internacionais?

Carine Bergmann 3 de dezembro de 2025
 COP 30 e os ODS: A agenda 2030 está viva nas discussões internacionais?

Fernando Assanti – Presidente do Instituto Selo Social e Coordenador de Comunicação Adjunto do Movimento ODS SC.

Estive na COP 30, em Belém, representando o Instituto Selo Social e o Movimento Nacional ODS – SC, organizações que integram a Comissão Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (CNODS). Poucas experiências me marcaram tanto quanto ver a Amazônia recebendo o mundo de braços abertos. A cidade respirava COP por todos os cantos, acolheu a maior participação indígena da história do evento e mostrou, com força, que discutir clima olhando para a floresta muda completamente a qualidade do debate. Belém foi organizada, vibrante, acolhedora — misturando diplomacia com tapioca, negociações tensas com chuva amazônica e uma hospitalidade única do Norte.

Mas o essencial é que a COP 30 entregou avanços concretos alinhados à Agenda 2030. O principal deles foi o Pacote Belém, aprovado por 195 países. Suas 29 decisões reforçam o ODS 13 ao colocar a adaptação climática no centro das políticas globais, deixando claro que ela não pode ser tratada como tema secundário. O compromisso de triplicar o financiamento para adaptação até 2035 fortalece diretamente o ODS 17, já que nenhum país vulnerável consegue enfrentar a crise climática sem cooperação internacional e recursos adequados.

A criação de 59 indicadores voluntários para monitorar a Meta Global de Adaptação também responde a um desafio histórico: medir para avançar. Com métricas claras, os países ganham condições de orientar políticas públicas para construir cidades resilientes, infraestrutura adequada e inovação voltada à redução de riscos.

Outro resultado importante foi o Roteiro de Adaptação de Baku (2026–2028), que reconhece que adaptação climática é, antes de tudo, política social. Ao dialogar com o combate à fome e à pobreza, reforça que proteger populações vulneráveis de eventos extremos é fundamental para evitar aumento da miséria e da insegurança alimentar. A COP também evidenciou o ODS 10 ao reafirmar a centralidade da justiça climática e do protagonismo de povos indígenas e tradicionais — seus conhecimentos foram finalmente tratados como estratégicos para soluções globais.

A biodiversidade também teve papel central. A ampliação das energias renováveis dialoga com o ODS 7, enquanto a criação do TFFF – Tropical Forests Forever Fund reforça a urgência de manter florestas tropicais em pé.

Ainda assim, a COP deixou frustrações. A falta de um caminho claro para o fim dos combustíveis fósseis mostrou o quanto ainda estamos longe de cumprir plenamente o ODS 13. O mundo conhece a direção, mas segue com dificuldade de transformar consenso científico em decisão política.

Mesmo com desafios, a COP 30 mostrou que há instrumentos, compromissos e capacidade técnica para acelerar a Agenda 2030, e que os ODS precisam ser esse norte desejável de todos e todas. Agora, falta transformar disposição em ação. Se os países honrarem o que pactuaram em Belém, teremos uma base sólida para alinhar clima, desenvolvimento sustentável e redução das desigualdades de maneira realista e efetiva.