Signatários do Movimento ODS SC levarão a força dos ODS para Belém na COP 30

Carine Bergmann 7 de novembro de 2025
 Signatários do Movimento ODS SC levarão a força dos ODS para Belém na COP 30

Na próxima segunda-feira, 10 de novembro, começa oficialmente a COP30 — a 30ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudanças Climáticas. Pela primeira vez sediada na Amazônia brasileira, em Belém do Pará, a COP30 promete ser histórica. E o Movimento ODS SC estará presente: signatários levarão suas vozes, práticas e compromissos locais com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Por que os ODS importam na COP30?

Os ODS formam um plano global para acabar com a pobreza, proteger o planeta e garantir que todas as pessoas tenham uma vida digna até 2030. Na prática, são metas que conectam clima, justiça social, economia e governança — ou seja, estão diretamente ligadas aos temas centrais da COP30.

O que será discutido na COP30 e como isso se relaciona com os ODS?

Entre os principais temas da COP30, estão:

Limitar o aquecimento global a 1,5°C, alinhado ao ODS 13 (metas 13.1 e 13.2), que trata da resiliência climática e da integração do clima nas políticas nacionais; ao ODS 7 (meta 7.2), que propõe aumentar o uso de energia renovável; e ao ODS 12 (meta 12.2), sobre uso eficiente e sustentável de recursos.

O fortalecimento das NDCs, os planos nacionais de emissões, se relaciona ao ODS 17 (meta 17.16), que defende parcerias multissetoriais, e ao ODS 16 (meta 16.6), que busca instituir uma governança eficaz e transparente.

Mitigação, adaptação e ações concretas correspondem ao ODS 1 (meta 1.5), que visa proteger populações vulneráveis de desastres; ao ODS 9 (meta 9.4), que promove a modernização da infraestrutura com tecnologias sustentáveis e eficientes; e ao ODS 11 (meta 11.b), que propõe tornar cidades mais resilientes.

O financiamento climático e a justiça econômica estão ligados ao ODS 10 (meta 10.b), que incentiva a transferência de recursos para regiões menos favorecidas; ao ODS 17 (metas 17.1 e 17.3), que tratam da mobilização de recursos; e ao ODS 13 (meta 13.a), que cobra o cumprimento da meta de US$ 100 bilhões anuais para apoio a países em desenvolvimento.

A proteção das florestas e biodiversidade, tema essencial na Amazônia, conecta-se ao ODS 15 (metas 15.1, 15.2 e 15.b), que tratam da conservação e manejo das florestas; ao ODS 6 (meta 6.6), que protege ecossistemas aquáticos; ao ODS 13 (meta 13.3), voltado à educação climática; e também ao ODS 18 (meta 18.5), que propõe promover reparações integrais, territoriais e históricas, reconhecendo os impactos acumulados da degradação ambiental sobre povos e comunidades tradicionais.

A justiça climática e a inclusão social têm relação direta com o ODS 5 (meta 5.5), que assegura a participação plena e efetiva das mulheres em todos os níveis de decisão; com o ODS 10 (meta 10.2), que promove a inclusão social, econômica e política de todos, independentemente de idade, sexo, deficiência, raça, etnia, origem ou condição econômica; com o ODS 16 (metas 16.3 e 16.7), que visam promover o estado de direito e garantir tomadas de decisão inclusivas e participativas; e com o ODS 18 (metas 18.1 e 18.3), que garantem o reconhecimento dos direitos territoriais de povos e comunidades tradicionais e sua participação efetiva nas decisões sobre seus territórios.

A transformação dos sistemas alimentares e da agricultura está ligada ao ODS 2 (metas 2.3 e 2.4), que valorizam a agricultura familiar e resiliente; ao ODS 12 (meta 12.3), que visa reduzir o desperdício de alimentos; e ao ODS 8 (meta 8.4), que propõe melhorar progressivamente a eficiência global do uso de recursos e promover o crescimento econômico sustentável com geração de empregos verdes e decentes.

Tecnologia, inovação e cooperação se alinham ao ODS 9 (meta 9.5), que estimula a pesquisa científica e a capacidade tecnológica dos setores industriais; ao ODS 17 (metas 17.6 e 17.8), que fortalecem a cooperação tecnológica global; e ao ODS 4 (meta 4.7), que promove a educação para a sustentabilidade.

Quem são as vozes de SC na COP30?

Conheça as Vozes ODS SC que estarão em Belém representando Santa Catarina:

Taísa Rodrigues (Diretora de Comunicação e Projetos do Joinville Lixo Zero. Signatária do Comitê ODS Joinville.): “Pretendo usar o jornalismo para mostrar que os ODS não são só metas globais, mas soluções locais que já existem em nossas mãos. A ideia é disseminar informações de forma simples e clara”.

Arthur Rancatti (Coordenador de Comunicação do Movimento ODS SC e cofundador do Coletivo Joinville Lixo Zero): Acredito que os ODS estarão no centro das discussões durante a COP30, não faz sentido eles não serem utilizados como objetivos e metas norteadoras de decisões. Poder acompanhar de perto esses debates e compartilhar com o nosso movimento em SC é muito gratificante.”

Júlia Engelmann (Signatária do Comitê ODS Florianópolis Ilha): “Pretendo contribuir para os ODS na COP30 ao participar de discussões que fortaleçam o mercado de carbono e o financiamento climático, impulsionando soluções que apoiem a ação contra a mudança do clima (ODS 13), o acesso à energia limpa (ODS 7) e o desenvolvimento econômico sustentável (ODS 8)”.

Gisele Victor Batista (Coord. Mobilização ODS SC | Harpia Meio Ambiente): “Não vou a Belém apenas para assistir à história, mas para relembrar ao mundo por que estamos aqui. Hoje, não basta reduzir danos, é preciso restaurar a vida. Precisamos curar o vínculo entre negócios e natureza, e a Agenda 2030 é o caminho que nos conduz a essa reconciliação. Na COP30, levarei comigo o compromisso de fortalecer a liderança ODS e inspirar a transição para uma economia regenerativa, onde negócios e pessoas atuam juntos pela cura do planeta e pelo futuro que ainda podemos escolher. Porque regenerar é devolver sentido à nossa existência”.

Luciene Vieira (Coordenadora de Mobilização do Comitê ODS de BC. Conselheira Municipal do Meio Ambiente, integrante do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Camboriú): Para a COP 30, vou carregada de esperança e de intenção de ser ponte pela equidade, pela transformação ecológica da economia e pela informação com responsabilidade.”

Fernando Assanti (Coord. Com. Adj. ODS SC | Instituto Selo Social): “Espero atuar participando das discussões relevantes que abordem – além das mudanças do clima – os temas transversais da agenda, como a redução das desigualdades, a segurança alimentar, a construção de cidades resilientes.Espero que seja uma COP marcada pela estratégia de implementação de ações.Precisamos sair do âmbito dos acordos documentais – que são importantes – mas ter clareza das ações a serem financiadas em curto prazo. Ou seja, definir como os recursos de financiamento chegarão em quem proteje a floresta.

Elis Nhaia (Signatária do Comitê ODS Joinville. Diretora da Saúde da Mulher do Coletivo Joinville Lixo Zero): Espero que a COP30 traga protagonismo das soluções reais, principalmente do papel das mulheres, dos pequenos empreendedores e das comunidades que fazem os ODS acontecerem na prática e não só no discurso. Que traga mais investimentos e não mais promessas. Que traga escuta e conexão entre quem transforma, e luta, o planeta todos os dias.

Gustavo Ribeiro (Coordenador Adjunto de Mobilização do Comitê Balneário Camboriú. Biólogo da ATL Global Soluções Sustentáveis): Eu espero contribuir levando experiências práticas de como a educação socioambientale o engajamento comunitário podem ser ferramentas para disseminar e implementaros ODS localmente, mostrando o potencial dos pequenos negócios na transformação ecológica.”

Sarita Assis Pacheco (Coord. Mobilização Adj. ODS SC | I-QASED. Presidente da Comissão OAB por Elas Criciúma/SC): “Eu chego à COP movida pela esperança e pela urgência. Os ODS não são números nem relatórios, são vidas, territórios, sonhos em movimento. Cada meta é um chamado à ação, um lembrete de que o futuro não se espera: se constrói. E é por isso que afirmo: quem aprende se defende, e quem se defende, transforma o mundo. Defende sua voz, seu espaço, sua existência. Porque aprender é o primeiro ato de resistência — e transformar é o passo seguinte da coragem.

Marquito – Marcos José de Abreu – Deputado Estadual, agrônomo e ativista. Signatário do Movimento ODS SC: “Vamos representar Santa Catarina nos debates da Blue e Green Zone, além de participar de eventos como a Cúpula dos Povos e a Casa Vozes do Oceano, da Família Schurmann. Levamos conosco um relatório com propostas construídas nas conferências regionais pré-COP, reunindo vozes da sociedade civil, ciência e territórios. Entre os temas estão justiça climática, agroecologia, transição energética, educação ambiental e racismo ambiental.

Michela Cancellier. Coordenadora Geral do Comitê ODS. Balneário Camboriú (IFC campus Camboriú).“Espero fazer uma imersão nas ações que as demais instituições realizam, conhecendo as suas conquistas e desafios, também poder compartilhar as nossas, e dessa forma, analisar as nossas próprias ações e como podemos melhorar e ampliar os nossos impactos.”

Carolina Mota – Coordenadora de mobilização do Comitê ODS Joinville. “Espero ação protagonista multissetorial. As últimas COPs tem sido invadidas, aos poucos, por iniciativas de diversos setores em relação ao clima, articulando entre si, se alinhando com organização civil e academias, assim como o movimento ODS se articula, guiado pelo ODS 17. Espero uma COP30 aquecendo e jogando para a ação diversos protagonista pelo clima, nos mais múltiplos setores. A hora é agora.”

Eduardo Ribeiro Manenti – Gerente Executivo da Credisol Microcrédito Brasil, OSCIP de microcrédito. “Na COP30, participaremos do painel internacional ‘Microfinance for Climate Mitigation, Adaptation and Resilience: From Pilots to Scale’, no Pavilhão do Azerbaijão, e também no estande do BNDES, mostrando como o microcrédito produtivo e orientado contribui diretamente para o ODS 8. Será uma honra integrar os debates na zona azul da conferência, espaço oficial da ONU, levando a experiência de campo e o olhar de quem trabalha diariamente com os microempreendedores populares, que são parte essencial dessa agenda. Nosso propósito é aproximar os temas da COP30 da vida real dessas pessoas, promovendo inclusão, trabalho, renda e dignidade.”

Ingrid Sateré Mawé. 1ªVereadora Indígena de Florianópolis. Embaixadora pelo Clima em SC. Signatária do Movimento ODS SC. “Estarei na COP cobrando que a transição climática seja realmente justa. Isso passa por reconhecer a urgência das adaptações, especialmente no Sul do Brasil, e por investir em educação ambiental. A escola precisa ser um espaço de transformação cultural, onde se constrói consciência para enfrentar a crise climática com justiça social — levando em conta gênero, raça e combatendo o racismo ambiental.”

Eduardo Zanatta. Vereador em Balneário Camboriú. Signatário do Movimento ODS SC. “A agenda ambiental precisa ser tratada em todos os níveis. Estar na COP 30 é essencial para levar Balneário Camboriú ao debate internacional sobre o clima. Propusemos transformar a Agenda 2030 em lei municipal, com metas claras para promover o desenvolvimento econômico, social e ambiental. O nosso mandato tem o compromisso de agir localmente diante desse desafio global.”

A presença catarinense na COP30 é uma prova de que os ODS ganham força quando vividos na prática, em cada território. O futuro que queremos depende das escolhas que fazemos agora.

Destaque da Cúpula: o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF)

A Cúpula do Clima é uma programação paralela e preparatória à COP30, realizada em Belém, que reúne representantes de governos, sociedade civil, setor privado, juventudes, povos indígenas e comunidades tradicionais para debater soluções para a crise climática com foco nos territórios e no protagonismo local. Ela antecipa agendas, mobiliza compromissos e serve como espaço de diálogo e articulação. As propostas e declarações lançadas durante a Cúpula ajudam a construir o caminho político, técnico e social para as decisões que serão formalizadas na COP30, conferência oficial da ONU.

Na abertura da Cúpula do Clima, um marco importante foi o lançamento oficial do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). A iniciativa, endossada por 53 países, representa uma nova era de colaboração global entre investimentos públicos e privados para a proteção das florestas tropicais. O TFFF prevê um incentivo financeiro sem precedentes para manter as florestas em pé, reconhecendo o valor dos serviços ecossistêmicos e remunerando sua conservação.

Entre os compromissos anunciados estão os da Noruega (US$ 3 bilhões em 10 anos), França (até US$ 577 milhões), Brasil e Indonésia (US$ 1 bilhão cada) e Portugal (US$ 1 milhão). O fundo terá pelo menos 20% de seus recursos destinados diretamente a povos indígenas e comunidades locais, reforçando seu compromisso com a justiça climática e territorial. Além disso, sua governança será paritária entre países florestais e financiadores, promovendo uma nova arquitetura de cooperação.

Para Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, o TFFF é um divisor de águas: “Pela primeira vez, temos um mecanismo global que reconhece o valor dos serviços ecossistêmicos das florestas e oferece incentivos permanentes para sua preservação”. Já a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, destacou que “garantir que pelo menos 20% dos recursos cheguem diretamente a esses guardiões é uma conquista histórica e um passo decisivo rumo à equidade”.

O TFFF reforça as metas do ODS 13 (ação climática), do ODS 15 (vida terrestre), e especialmente do ODS 18 (justiça e equidade socioambiental), ao prever reparações históricas, financiamento direto a comunidades tradicionais e uma governança justa e inclusiva. É um dos resultados mais concretos e simbólicos da COP30, inaugurando uma nova fase de implementação e cooperação climática em escala global.