A Semana ODS em Pauta 2025 reuniu especialistas e lideranças para promover diálogos estratégicos sobre os desafios e caminhos para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) no Brasil.
Com o tema “Regenerar para sustentar: cultura pelos ODS — pessoas, empresas e sociedade pela regeneração do planeta”, o evento abordou desde o letramento crítico sobre a Agenda 2030 até questões estruturais como o racismo e apresentou a ISO 53002 como ferramenta para consolidar uma cultura de governança orientada pelos ODS. Três encontros, uma missão: mobilizar pessoas, organizações e territórios para transformar o futuro — agora.Parte superior do formulárioParte inferior do formulário
A disseminação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) representa um dos maiores desafios para o engajamento de diversos setores da sociedade na implementação da Agenda 2030. Pensando nisso, o Movimento Nacional ODS Santa Catarina realiza todos os anos, em maio, a Semana ODS em Pauta — um espaço formativo, gratuito e acessível para disseminar informações de qualidade sobre os ODS e mobilizar diferentes segmentos da sociedade brasileira.
Um compromisso global que ainda precisa ser compreendido
A semana iniciou com a palestra “Letramento ODS – Conhecendo a Agenda 2030 e Medindo o Impacto Positivo”, conduzida por Regina May de Farias (Assessora Executiva do Movimento ODS SC), foi um momento formativo e inspirador.
A palestra abordou os fundamentos da Agenda 2030, a importância de compreender profundamente os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e, principalmente, como indivíduos e organizações podem medir e fortalecer o impacto positivo de suas ações.
Regina destacou os principais obstáculos ao alcance dos ODS e apresentou caminhos práticos para que projetos, empresas e pessoas assumam um papel mais ativo e responsável diante dos desafios globais — sempre reforçando que a transformação começa no local e no pessoal.
A palestra realizada na Semana ODS em Pauta foi o segundo encontro da trilha de conhecimento sobre a Agenda 2030 e os ODS, que está sendo realizado em 2025. O primeiro aconteceu no dia 8 de abril e o próximo está marcado para o dia 25 de novembro.
O Letramento ODS visa promover uma compreensão crítica e aprofundada da Agenda 2030 e dos ODS, auxiliando pessoas e organizações a reconhecerem seu papel no desenvolvimento sustentável e a desenvolverem práticas que contribuam de forma consciente, mensurável e integrada para o alcance da sustentabilidade.
Você pode assistir as gravações dos encontros na playlist Letramento ODS, no https://www.youtube.com/Movimentoodssc.
Racismo estrutural e Agenda 2030: uma resposta brasileira
A Roda de conversa ODS 18 – Igualdade Étnico-Racial por um Desenvolvimento Sustentável, realizada no dia 28, abordou o ODS 18 como contribuição brasileira para a Agenda 2030, colocando a equidade étnico-racial no centro do desenvolvimento sustentável.
O governo brasileiro adotou o 18º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável como uma proposta para enfrentar o racismo estrutural como barreira para o desenvolvimento, estabelecendo metas específicas de combate às desigualdades raciais no acesso a direitos, participação política e justiça.
A mediação foi feita por Fernanda Dornelles (Doutoranda em Gestão do Conhecimento pela UFSC, fundadora da Estratagema Consultoria e membro da ForbesBLK), com participações de Márcia Guimarães (Presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB Itajaí e do CONEGI), Paulo Pitaguary (Liderança indígena do Ceará, fundador do Instituto Asas & Raízes Pitaguary) e Patrícia Carvalho (Assistente de projetos no PNUD, coordena as Câmaras Temáticas do ODS 18 na CNODS).
Fernanda ressaltou que falar de ODS e desenvolvimento sustentável sem considerar o recorte racial é manter um discurso incompleto. Para ela, o ODS 18 é uma resposta concreta à necessidade de transformar estruturas e não apenas incluir indivíduos, destacando a interseccionalidade como caminho para políticas mais eficazes.
Márcia destacou que conselhos e órgãos de justiça devem atuar com intencionalidade antirracista, não apenas ocupando espaços, mas transformando-os com base na escuta e enfrentamento das desigualdades históricas.
Já Paulo Pitaguary compartilhou a realidade dos povos indígenas e a luta pela preservação dos saberes tradicionais. Enfatizou que o desenvolvimento sustentável só faz sentido se reconhecer os territórios originários como fonte de conhecimento e resistência. “Não somos parte do passado, somos o presente que sustenta o futuro. Não há ODS sem a natureza e sem os povos que cuidam dela”, destacou Paulo.
Patrícia Carvalho afirmou que “o desafio agora é garantir que o ODS 18 seja implementado com orçamento, metas claras e escuta dos territórios”. Ela explicou como foi o processo de construção do Objetivo, falou sobre o avanço da Câmara Temática do ODS 18 na Comissão Nacional para os ODS e a importância de estruturar indicadores, financiamento e participação social para que o objetivo vá além do simbólico.
Governança com Impacto: Como a ISO 53002 Fortalece a Agenda 2030
A Semana ODS em Pauta encerrou com a Palestra: Diretrizes da ISO 53002 pela Cultura dos ODS, com a convidada Marisselma Santana (Especialista em Sistemas de Gestão em Governança Corporativa). Mediada por Gisele Batista (Coordenadora de Mobilização do Movimento ODS SC), a palestra realizada no dia 30 de maio, trouxe reflexões sobre a norma ISO 53002.
Marisselma apresentou uma reflexão profunda sobre a importância da governança organizacional baseada em valores sustentáveis, conectando a norma ISO 53002 à implementação prática dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nas organizações públicas, privadas e do terceiro setor.
A ISO 53002 propõe uma cultura de governança orientada por propósito, ética, transparência e impacto social positivo. Segundo Marisselma, essa norma representa uma evolução do pensamento organizacional, deixando de tratar a sustentabilidade como algo apenas “ambiental” ou “setorial”, e passando a integrá-la na tomada de decisão estratégica e finalizou reforçando que a transformação sustentável não ocorre apenas por ações pontuais, mas sim quando as organizações desenvolvem uma cultura baseada em governança responsável, ética e orientada ao bem comum. A ISO 53002 pode ser uma aliada poderosa para que os ODS sejam, de fato, parte viva da estratégia organizacional.
Assista os três eventos na playlist da Semana ODS em Pauta 2025.
Conheça os nossos convidados:
Regina May de Farias
Assessora Executiva no Movimento ODS SC. Atua com Desenvolvimento Comunitário e Sustentável desde 2001. Foi uma das fundadoras do Movimento Nacional ODS SC em 2009 e coordenadora até 2016. Possui certificação internacional em Project Management for Development Professionals (PMD-Pro/PMI). Tem ampla experiência em desenvolvimento institucional, investimento social privado e coordenação de projetos de voluntariado, atuando com empresas, escolas públicas e o poder público.
Fernanda Dornelles
Doutoranda em Gestão do Conhecimento com foco em Diversidade Racial pela UFSC, fundadora da Estratagema Consultoria. Atua na construção de estratégias para inovação, diversidade e impacto positivo. Integra a comunidade global ForbesBLK.
Márcia Guimarães
Advogada, Mestre em Gestão de Políticas Públicas pela Univali, Presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB Itajaí e do CONEGI. Coordena a mobilização do Movimento ODS Itajaí.
Paulo Pitaguary
Fundador do Instituto Asas & Raízes Pitaguary (CE), atua com agroecologia, cultura alimentar e valorização do território indígena. É produtor cultural, conselheiro municipal e graduando em Administração Pública e Direito.
Patrícia Carvalho
Assistente de projetos no PNUD, atua na Comissão Nacional para os ODS. Coordena as Câmaras Temáticas do ODS 18, com forte atuação em articulação com a sociedade civil na pauta étnico-racial.
Marisselma Santana
Especialista em Sistemas de Gestão em Governança Corporativa. Fundadora da Sementes de Integridade e diretora da S2S Sustainable Solutions. Com mais de 20 anos de atuação em multinacionais, é relatora da ABNT e ISO para normas como ISO 37001, 37002, 37009, 53001 e 53002. Atua em projetos de compliance, ESG e avaliação de sistemas de gestão em empresas de diversos setores. Especialista do Inmetro, possui formação em Direito e Letras com ênfase em tradução e interpretação.
Dra. Gisele Batista
Geógrafa, doutora em Engenharia Civil. LinkedIn Top Voice em Sustentabilidade e ESG. Coordenadora de Mobilização do Movimento ODS SC, mentora de executivos e diretora da Harpia Meio Ambiente. Representa a ANEFAC no Working Group ESG – International CFO Alliance. Criadora do programa “Carreira ESG: Green Skills para Impulsionar Negócios Sustentáveis”.
