Desenvolvida pelo IDEL em parceria com a FACISC, iniciativa utiliza diagnósticos habitacionais e planejamento participativo para apoiar políticas públicas de moradia em Içara, Pomerode e Brusque
O acesso à moradia adequada é um dos desafios para o desenvolvimento sustentável das cidades. Em Santa Catarina, o projeto DEL Habitação – Habitação para o Desenvolvimento Econômico busca integrar habitação e desenvolvimento econômico por meio do planejamento territorial. Desenvolvida pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico Local (IDEL), em parceria com a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC), a iniciativa começou a ser estruturada em 2026 e envolve os municípios de Içara, Pomerode e Brusque.
A proposta parte de uma questão que vai além da construção de casas: compreender como a oferta de moradias, a renda das famílias, o acesso aos serviços públicos e a mobilidade influenciam a qualidade de vida da população e a capacidade dos municípios de atrair e manter trabalhadores.
Para isso, o projeto reúne informações sobre a realidade habitacional de cada território e promove o diálogo entre gestores públicos, representantes empresariais e instituições locais. O objetivo é transformar esses dados em estratégias que orientem políticas públicas e soluções habitacionais adequadas às necessidades de cada município.
Habitação e desenvolvimento econômico: qual é a relação?
A disponibilidade de moradias adequadas influencia diretamente a dinâmica econômica e social dos municípios. Quando o acesso à habitação não acompanha as necessidades da população, famílias e trabalhadores podem enfrentar dificuldades relacionadas ao custo de vida, à mobilidade e à proximidade dos serviços essenciais.
Foi a partir dessa compreensão que o DEL Habitação ganhou forma. Um diagnóstico inicial realizado pela FACISC identificou a relevância e a complexidade da questão habitacional para o desenvolvimento dos municípios catarinenses.
Com base nessa análise, o IDEL estruturou uma metodologia voltada à elaboração de diagnósticos habitacionais conectados às características econômicas, sociais e territoriais de cada localidade.
A iniciativa considera que o planejamento habitacional precisa dialogar com outras áreas, como geração de emprego e renda, infraestrutura, mobilidade e ordenamento urbano.
Dessa forma, a moradia deixa de ser analisada como uma questão isolada e passa a integrar uma estratégia mais ampla de desenvolvimento local.
Como funciona o DEL Habitação?
O trabalho começa com o levantamento e a análise de informações sobre a realidade habitacional dos municípios.
Entre os aspectos avaliados estão a demanda por moradias, o déficit habitacional, a oferta de imóveis, as características socioeconômicas da população e as oportunidades existentes em cada território.
Essas informações ajudam a identificar os principais desafios locais e a construir uma base técnica para orientar decisões públicas.
Outro componente da metodologia é a participação dos atores envolvidos no desenvolvimento municipal. Gestores públicos, equipes técnicas, representantes empresariais e instituições locais são convidados a discutir os diagnósticos e contribuir para a definição de prioridades.
O processo também considera as possibilidades de financiamento e as condições necessárias para ampliar a oferta de habitação adequada.
Em vez de adotar uma solução única para todos os municípios, o DEL Habitação propõe estratégias construídas a partir das particularidades de cada território.
Três municípios catarinenses participam da iniciativa
Içara, Pomerode e Brusque são os primeiros municípios envolvidos na implementação do DEL Habitação.
Embora compartilhem desafios relacionados ao acesso à moradia, cada localidade apresenta características próprias de população, atividade econômica, disponibilidade de terrenos e oferta habitacional.
Por isso, a metodologia busca identificar as necessidades específicas de cada município antes da definição das estratégias.
De acordo com as informações apresentadas pelo IDEL ao Movimento Nacional ODS Santa Catarina, a iniciativa já registra resultados na organização de dados e na mobilização de atores locais.
Entre as entregas informadas estão:
- Três diagnósticos e análises habitacionais municipais estruturados, com levantamento de informações sobre demanda, déficit e oferta de moradias.
- Três relatórios com a identificação dos principais desafios habitacionais associados ao crescimento econômico e populacional.
- Três comitês de mobilização, reunindo atores estratégicos e equipes municipais para discutir a temática.
- Um conselho de habitação criado, conforme o levantamento apresentado.
- Bases técnicas estruturadas para apoiar a formulação e o aprimoramento de políticas públicas habitacionais.
Os resultados representam etapas de planejamento e articulação institucional. Os impactos sobre a ampliação da oferta de moradias, a redução do déficit habitacional e a melhoria das condições de vida ainda deverão ser acompanhados ao longo da implementação das estratégias municipais.
Quem pode ser beneficiado?
O DEL Habitação considera diferentes públicos que se relacionam com a questão habitacional.
Entre eles estão famílias que necessitam de moradia adequada, trabalhadores, pessoas em situação de vulnerabilidade habitacional e populações de baixa e média renda.
A iniciativa também envolve empresas e setores econômicos que dependem da disponibilidade de trabalhadores nos territórios, além de instituições financeiras, representantes do mercado imobiliário e gestores públicos.
Ao aproximar esses diferentes grupos, o projeto busca ampliar a compreensão sobre as necessidades habitacionais e as possibilidades de construir soluções conjuntas.
Uma das premissas da metodologia é que o planejamento da moradia precisa considerar as condições reais das famílias e a dinâmica econômica de cada município.
Contribuição para o ODS 11: Cidades e Comunidades Sustentáveis
O DEL Habitação está diretamente relacionado ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11 (ODS 11) — Cidades e Comunidades Sustentáveis, que integra a Agenda 2030.
Esse objetivo busca tornar as cidades e os assentamentos humanos mais inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.
Ao promover diagnósticos habitacionais, planejamento territorial e participação de diferentes setores, o projeto contribui para criar condições técnicas e institucionais que apoiem políticas públicas voltadas ao acesso à moradia adequada.
A iniciativa também evidencia como a sustentabilidade urbana está relacionada a questões cotidianas, como morar perto do trabalho, acessar serviços públicos, reduzir deslocamentos e encontrar condições adequadas para viver.
Nesse contexto, o planejamento habitacional pode contribuir tanto para a qualidade de vida das famílias quanto para a capacidade de desenvolvimento econômico dos municípios.
Planejamento participativo e soluções adaptadas a cada território
Uma das principais lições identificadas pelo IDEL é que não existe uma solução única para os desafios habitacionais. Cada município apresenta uma realidade específica, com diferentes perfis familiares, condições econômicas e capacidade de investimento.
“Mais do que produzir um diagnóstico, o trabalho tem possibilitado reunir diferentes atores — poder público, empresas da construção civil, setor produtivo, instituições e comunidade — para olhar conjuntamente para um problema que impacta diretamente a qualidade de vida e o desenvolvimento econômico”, destaca o relato encaminhado por Aline Nandi, do Instituto de Desenvolvimento Econômico Local (IDEL).
A experiência reforça a importância de aproximar o planejamento público das necessidades reais da população e construir estratégias habitacionais adaptadas a cada território.
A metodologia propõe construir uma visão compartilhada dos desafios e envolver diferentes setores na busca por alternativas.
A iniciativa segue em andamento, com previsão de continuidade das atividades municipais em 2027. O acompanhamento dos resultados será importante para avaliar como as estratégias definidas se traduzirão em melhorias concretas para a população.
Ao relacionar moradia, desenvolvimento econômico e planejamento participativo, o DEL Habitação apresenta uma experiência que poderá oferecer aprendizados a outros municípios interessados em enfrentar seus desafios habitacionais.
A proposta reforça que o desenvolvimento sustentável das cidades depende não apenas da expansão urbana, mas também da capacidade de planejar territórios que atendam às necessidades de quem vive e trabalha neles.
