Ciência e supercomputação: como signatário do Movimento ODS SC coopera para fortalecer a resiliência climática em SC

, Carine Bergmann 3 de agosto de 2026
 Ciência e supercomputação: como signatário do Movimento ODS SC coopera para fortalecer a resiliência climática em SC

Santa Catarina conhece bem os impactos e desafios impostos pelas oscilações do clima global. Sob a influência de fenômenos como o El Niño, responsável por alterar drasticamente o padrão de precipitação e intensificar episódios de chuvas extremas, enchentes e tempestades severas no Sul do Brasil, o estado enfrenta a necessidade constante de antecipar cenários e planejar ações preventivas para proteger a população e as infraestruturas locais.

Para responder a esse cenário de risco, a ciência catarinense conta com a colaboração ativa de pesquisadores como Cássio Aurélio Suski, docente e pesquisador do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e signatário do Movimento ODS Santa Catarina pelo Comitê Local Balneário Camboriú. Ele integra o projeto do Sistema Integrado de Monitoramento e Modelagem Numérica Climatológica e Ambiental para o Estado de Santa Catarina, vinculado ao Laboratório Multiusuário de Clima e Ambiente (LMCA), sediado no Câmpus Florianópolis do IFSC.

Estrutura tecnológica e inovação a serviço do estado

Viabilizado com fomento de R$ 2,5 milhões da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC) por meio do Programa Multilab SC, o projeto reúne uma infraestrutura de ponta focada em inteligência ambiental e no acompanhamento de eventos meteorológicos críticos em tempo real:

Supercomputação de alto desempenho: Aquisição e operação de um supercomputador equipado com 800 processadores e 200 TBytes de armazenamento, dedicado ao processamento de modelos numéricos complexos para previsão meteorológica e simulação do transporte químico de poluentes atmosféricos.

Rede de estações de monitoramento: Instalação de 4 estações meteorológicas e de qualidade do ar em pontos estratégicos do estado (Florianópolis, Joinville, Criciúma e Chapecó) para coleta contínua de dados, monitorando variáveis que vão desde chuva e vento até a presença de gases de efeito estufa e material particulado.

Plataforma de dados abertos: Desenvolvimento de banco de dados e interface web interativa para acesso público a séries históricas e previsões climatológicas.

Cooperação interinstitucional e impacto na sociedade

A iniciativa destaca a força do trabalho colaborativo em rede. O projeto une grupos de pesquisa no campo das Geociências, combinando expertises em modelagem atmosférica e dispersão de poluentes:

Instituições Parceiras: Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e a agência norte-americana NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration).

Interface com a Saúde e Proteção: Além de abastecer órgãos como Defesa Civil de Santa Catarina, EPAGRI e Instituto do Meio Ambiente (IMA), a integração com a DIVE-SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica) fortalece o monitoramento dos impactos da poluição na saúde pública

Os produtos e modelagens gerados por essa rede alimentam diretamente órgãos estratégicos de decisão e resposta rápida no estado, como a Defesa Civil de Santa Catarina, a EPAGRI e o Instituto do Meio Ambiente (IMA), fortalecendo a gestão de risco e o alerta precoce diante de anomalias climáticas como o El Niño e a La Niña.

Conexão com a Agenda 2030

A atuação do signatário por meio desse projeto responde diretamente a metas fundamentais dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável:

ODS 13: Ação contra a mudança global do clima

Meta 13.1: Reforço da resiliência e da capacidade de adaptação aos riscos relacionados ao clima e às catástrofes naturais em todos os países.

Meta 13.3: Melhoria da educação, conscientização e capacidade humana e institucional sobre mitigação, adaptação, redução de impacto e alerta precoce da mudança do clima.

ODS 17: Parcerias e meios de implementação

Meta 17.6: Aumento da cooperação regional e internacional, acesso à ciência, tecnologia e inovação, e compartilhamento de conhecimento.

Meta 17.17: Incentivo e promoção de parcerias eficazes nas esferas pública, público-privada e com a sociedade civil.

ODS 9: Indústria, inovação e infraestrutura

Meta 9.5: Fortalecimento da pesquisa científica e melhoria das capacidades tecnológicas, incentivando a inovação no setor de ciência e tecnologia.

Referências bibliográficas e fontes consultadas

  1. BRASIL. Conselho Nacional dos Direitos Humanos / ONU. Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Brasília: Nações Unidas no Brasil, 2015.
  2. CPTEC / INPE. Impactos do Fenômeno El Niño no Brasil e na Região Sul. Cachoeira Paulista: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, 2024.
  3. FAPESC – Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina. Chamada Pública FAPESC nº 15/2023 – Programa Multilab SC / Apoio a Laboratórios Multiusuários. Florianópolis: FAPESC, 2023.
  4. IFSC – Instituto Federal de Santa Catarina. Câmpus Florianópolis conclui instalação de estações de monitoramento e reforça previsão de eventos climáticos em SC. Portal de Notícias IFSC, Florianópolis, 2024.
  5. INTEGRA IFSC. Projeto LMCA – Laboratório Multiusuário de Clima e Ambiente: Sistema Integrado de Monitoramento e Modelagem Numérica Climatológica e Ambiental para o Estado de Santa Catarina. Florianópolis: Sistema de Gestão de Projetos e Inovação do IFSC, 2024.
  6. MOVIMENTO NACIONAL ODS SANTA CATARINA. Relatório Anual de Atividades de Signatários – Ano Base 2025: Submissão Cássio Aurélio Suski. Comitê Local Balneário Camboriú, 2026.
  7. SUSKI, Cássio Aurélio. Perfil Docente e de Pesquisa / Linhas de Pesquisa em Clima, Instrumentação e Ambiente. Plataforma Lattes / CNPq, 2026.